segunda-feira, 30 de junho de 2008
teodoro
terça-feira, 8h17, acordo meio zonza. preparo uma linha. aroma de pasta de dente. lembra visitas ao dentista. estico para acordar e acordo mesmo. audrey hepburn empunhou uma taça de leite no filme bonequinha de luxo. nós, do século XXI, somos diferentes. sem ninguém para amar além de nós mesmas, as roupas, os dvds de sex and the city. o luxo inalcançável, uma vida irreal. LOVE LOVE LOVE eu queria gritar. São Paulo é uma cidade enorme. Eu ando pelas ruas escutando KISS FM, então as pessoas andam depressa e tudo é suspeito. São Paulo é rock´n´roll. Mas também é funk, é brega, às vezes jazz. Meu coração bate emocionado com tantas possibilidades - as pessoas do interior sempre se iludem - . Tão grande quanto o número de coisas que desejo fazer - tocar, desenhar, escrever, amar, trabalhar. Não tenho dinheiro. Talvez eu seja a mesma de sempre, andando na areia molhada sem saber o formato de minhas pegadas. O ipê florescido numa esquina movimentada. Homens de negócio, mulheres importantes, carros, garis. Eu lembrei, eu me lembrei de uma sensação de alegria, de alegria infantil e pura. Tocou nos recônditos de algo muito duro e fechado - é, aquele que bate... Tão soterrado por camadas de tentativas e tentativas de crescimento. Don´t look back in anger. Olho para as crianças, desejo que tudo dê certo. Que tudo fique bem. Não posso desejar diferente. Acelerada, olho as pessoas, elas me devolvem o olhar. Sorrio e penso... tenha um bom dia! Gosto muito de ir a lojas de instrumentos musicais. É tão excitante. Repleta de coisas que desconheço prontas para serem tocadas. Violão, guitarra, baixo. Cordas. 09, 010. Pedais de efeito. Surf music, rock 70s, eletrônico. Gaita - blues. Teclado - B´52´s. Flying V - metaaaal. As pessoas também sentem o mesmo que eu, também mexem. Ou param fascinadas à frente de algo como uma obra de arte - quais são os segredos desvendáveis ali? Fui até o balcão. A sensação de ir ao balcão de um bar. A certeza de adquirir ali algo delicioso. Observei cada item, cada compartimento eletrônico. O ser humano pode ser tão bacana. Mas também, você sabe, ele pode estar andando por aí com trapos. O vendedor ofereceu ajuda. Eu disse o que queria. Depois quis mais. Que tal um mini-ampli? Sim, eu sempre quis um. Só porque é muito fofo. Mas ali eu disse que precisava para usar fones de ouvido. Desculpas de adulto. Tive que testá-lo. O rapaz me passa uma Les Paul vermelha. Seguro-a. Mais pesada do que a minha Stratocaster. Trago-a para junto do meu corpo. Aumento o volume. Uma corrente de energia correu até as pontas dos meu dedos. Como segurar a mão de quem você está a fim. Por mais que conheçamos, não sabemos que som produzirá ao nosso contato.
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1 comentários:
Oi, lembra de mim "garota que fuma"? hehehe. Muito show teu texto. Conseguiu passar 100% tuas sensações, percepções, sentimentos com detalhes que fazem toda a diferença. Perfeito. Me aceita lá no Orkut, ok? E vê se dá uma passada no nosso blog também, afinal, acho que poderão rolar comentários/discussões/idéis/teorias bem pertinentes tanto da tua parte lá, como da minha aqui, ok?
www.oequilibradordepratos.blogspot.com
Beijos. (por Jurandir)
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